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terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Ponto de Cultura e Horta Comunitária inscrevem oficina no FST 2012 em Canoas dia 26

Inscrita oficina com debate e experimentação ao Teatro Popular do Oprimido, religiosidade, fé, ecumenismo e expressividade para um mundo saudável e na cultura de paz com diversidade no Fórum Social Temático em Canoas, dia 26,  pelo Ponto de Cultura Nosso Modo De Ser Com Mais Cultura e HOCOUNO - Horta Comunitária União dos Operários.


Com o objetivo de aprofundar o debate referente ao projeto cultural com a Horta Comunitária União dos Operários – HOCOUNO, é que foi proposta esta oficina dentro de um formato contando com relatos de experiências e roda de conversas. Também, no mínimo, com uma encenação envolvendo reciclagem e diferenciações do lixo caseiro através do associado Alcindo Pereira. O exercício de teatro popular com jogos baseados na teoria e prática de Augusto Boal ficou de responsabilidade da integrante do Grupo de Teatro Pode Ter Inço no Jardim, professora Sirlândia Gheller, representando o Ponto de Cultura Nosso Modo de Ser com Mais Cultura.

Os oficineiros entendem que os setores populares do local geralmente são aqueles quase nunca agraciados com a possibilidade mais efetiva e duradoura de políticas públicas de valorização da cultura popular diante da cultura da massificação e homogeneização e, esta realidade, com determinado grau de certeza colabora ao prejuízo no que diz respeito até mesmo à produção e divulgação do teatro, da música, da dança enquanto forma de expressão destas populações que, quase sempre, estão colocados numa situação de total invisibilidade e exclusão, como é o caso dos Auto de Natal, das encenações de Páscoa, dos Casamentos na Roça, e dos grupos de danças gauchescas que ainda percebemos manifestações junto de diversas comunidades, diga-se, Território de Paz da Grande Mathias, mais particularmente aquelas ligadas às ditas CEBEs que ainda são influídas positivamente pela chamada Teologia da Libertação. Por isso, estamos a algum tempo procurando fomentar pela base o debate sobre o teatro popular na perspectiva do Teatro Popular do Oprimido, a música e a dança e, todo um leque de outras linguagens da cultura popular. Queremos ir minimamente influenciando aquilo que diagnosticamos como uma frágil cadeia produtiva que resistiu ao descaso com que historicamente as populações das zonas ditas periféricas foram tratadas pelas esferas públicas, neste caso, a população do entorno da HOCOUNO, e o seu fazer cultural. Procuraremos dar relevo a estes setores de cultura pela experimentação e incremento da produção cultural e artística, no sentido de ser mais um fator possível de fonte de renda, pois avaliamos, que o artista popular precisa deste incentivo, através também, de uma proposta concreta de economia solidária e participação em que ele possa se enxergar como sujeito, ator da própria história, contrariando o senso comum que diz que ser artista ou ecologista não é ter uma profissão ao lado das classes populares.

Com esta oficina  propomos buscar a especialização e valorização do artista ou agente da cultura popular aprofundando nossos laços e trocas de saberes com a comunidade. E, com a união da categoria artística com os movimentos sociais, certamente traremos ao município de Canoas e, para todos da exclusão, a possibilidade de novas perspectivas culturais e ganhos para uma população ecologicamente também prejudicada ao longo do tempo, por serem características destes lugares dos excluídos também, além da degradação dos valores que acarretam em perda da auto-estima e suas conseqüências até ao completo desalento na busca de melhorias, também a degradação da condição estética, ambiental, entre outras conseqüências, típicas dos grupos considerados em situação de vulnerabilidade social e na condição muitas vezes de reféns das violências que geralmente estão expressas no cotidiano.

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